Sentou-se em frente sua escrivaninha, ligou seu computador e aguardou. Em questões de segundos, estava ligado. Entrou no navegador da internet, e foi no único site salvo nos favoritos. Acessou sua conta de e-mail.
Não se surpreendeu ao vê-la sem nenhum novo e-mail. Há muito tempo era sempre assim, mas só agora isso afetava seu interior. Causava uma dor íntima, um pequeno desânimo.
Nos e-mails recebidos outrora, abriu um ao acaso. Leu as palavras ali contidas. Sentiu em seu peito o significado de cada uma daquelas palavras.
As palavras pareciam ter vida e girar em seu redor. Quando começou a sentir os olhos lacrimejantes, apoiou a cabeça entre as mãos. Não se permitiu demonstrar reações. Abriu outro antigo e-mail e o leu. Sorriu tristemente em sua leitura. Era um e-mail bom, doce, agradável, suave ao coração.
Comparou o passado com o presente. Não quis nem supor a existência do futuro.
Não havia novos e-mails, parecia que em si nada surgia de novo. A mente sempre nas mesmas lembranças. Porém, tudo a sua volta se renovava dia-a-dia, cumprindo o ciclo da vida.
Saiu do seu e-mail. Fechou a janela do navegador e não esperou nada para desligar o computador com pressa. Não pudia ficar muito tempo ali. Tinha saudade de ler e escrever.
Não escrevia por não haver mais palavras a serem ditas, só deveria haver aceitação dos fatos e suas consequências.
Aceitação nunca haveria, sabia disso, sentia palpável essa verdade. Só haveria, sempre, palavras que estariam dispostas a serem escritas ou lidas. Pois por mais que quisesse nunca poderia deixar de dizer: Eu vivo você!