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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A vida é...



A vida é um incompreensível ciclo.
Apesar de sua forma fixa que temos como base, nunca conseguiremos entender toda a volta que ela faz.
Terminei uma volta, mas você nunca voltará.
A volta terminou e o que termina não volta.
Se algo voltou, também terminará.
O novo ciclo continua com coisas novas e diversas, um ciclo com partes mais apagadas e outras muito brilhantes.
O brilho ofusca e não se percebe as partes apagadas.
Mas elas estão lá, pois o que terminou não volta.
E na nova volta não dá para voltar o que terminou.

03/08/2010

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

No meio da noite...

Acordou dando um pulo na cama, corpo suado, sentia a camiseta ensopada em suas costas.
Aos poucos foi tendo noção da realidade, o pesadelo ia sumindo de sua mente.
Não sabia dizer se era sonho ou pesadelo, mas tinha ficado com um gosto agridoce na boca.
Tentou sentar, mas não conseguia se mover.
Ficou olhando para o teto tentando tirar da mente as imagens do sonho que ainda insistiam em aparecer.
Ao fechar os olhos, as imagens ficavam mais nítidas. O necessário era ficar de olhos abertos, mas assim o sono ia sumindo junto com as imagens.
O corpo, agora, apresentava mais sinais de cansaço. A exaustão não permitiu que ficasse muito tempo de olhos abertos olhando para o teto.
Voltou a fechar os olhos e recebeu o golpe das recordações.
Não sabia porque sonhar com o passado, o passado já tinha se tornado um pesadelo.
Não havia lembrança que pudesse despertar o lado doce dos acontecimentos anteriores.
Não restava nada. Não havia nada mais de bom.
Ou, ao menos, era assim que se obrigava a pensar.
Quis abrir os olhos novamente, era doloroso conviver com aquela imagem que persistia em aparecer.
Porém o sono voltava, o cansaço ajuda nisso.
Estava adormecendo aos poucos, a imagem ia desvanecendo lentamente.
Não disse adeus para a imagem, sabia que ela voltaria aos seus sonhos.
Antes que ela desaparecesse, sussurrou: Eu vivo você!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Todas palavras significam uma frase

Começou a pensar nas várias coisas que podia dizer.  Queria poder dizer a falta que sentia, a dor que não sumia.
O desespero por ver tudo se apagando a sua frente, sem poder fazer nada.
Havia tantas e tantas palavras, mas elas perdiam o sentido assim que se uniam em uma frase.
O papel não era mais o suficiente para expressar o que queria dizer, as palavras não contemplavam o sentido que precisavam passar.
Não havia mais palavras que pudessem expressar o que sentia.
Queria poder dizer que estava sofrendo, que queria que as coisas voltassem.
Mais sabia que nada mais poderia ser o que já havia sido.
O passado andava ao seu lado, acompanhando o ritmo de cada passo seu.
Não havia mais como escapar do passado. Não havia como esquece-lo ou palavras que fizessem ele desaparecer.
Mas mesmo estando lado a lado com o passado, ainda queria dizer muitas coisas.
Sentia falta de cada pequeno detalhe, de cada coisa existente ou não.
Sentia falta das coisas que poderia ter tido, mas hoje não era mais possível.
A saudade instalou-se em seu outro lado.
Queria saber o que fazer, saber corrigir ou saber esquecer.
Mas não sabia mais nada, todos os conhecimentos se tornavam nulos nesses momentos.
Não conseguia fazer mais nada.
Queria poder dizer algo, algo que mudasse tudo. Algo que expressa-se que ainda havia amor, aquele amor constante.
Mas a vontade morria de medo, medo que tudo se repetisse.
Recuperar para perder novamente. Esse era seu maior medo.
Se é para perder que seja uma. Se é para sofrer que não haja motivos para acentuar o sofrimento e a dor.
Queria poder dizer muitas coisas, e por isso não dizia nada.
Tornou as palavras inexistentes, deixou que só houvesse presença nos pensamentos, nas lembranças, nas dores.
De tantas palavras que queria dizer, sabia que só uma poderia expressar tudo.
Só havia uma frase que pudesse compreender toda a complexidade.
As palavras que queria dizer sempre significaram: Eu vivo você!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Folhas aos pedaços

Hoje encontrou algumas folhas velhas, já amassadas e amareladas. Folhas a tanto tempo guardadas, mas nunca esquecidas.
Folhas escondidas para não serem vistas. Folhas com palavras doces, mas que iam amargando quanto mais lia.
Lembrava-se das palavras, da melodia e do aroma que saia daquelas folhas.
Era uma recordação que não podia permitir vir sempre ao seu encontro.
Olhou para as folhas, leu diversas vezes. Deixando que a dor viesse ao seu encontro a cada palavra lida.
A cada sílaba que saia da folha, ia criando vida ao seu redor.
As palavras circulavam ao seu redor, formando um redemoinho.
Não poderia reencontrar aquelas folhas. Era hora de fazer algo.
Enterra-las junto com o passado já morto.
Rasgou a primeira, o que pareceu ser mais um rasgo em seu coração.
Rasgou a segunda, e ao olhar a terceira viu que não poderia se livrar de todo daquela lembrança.
Algo deveria permanecer para ser invocado nos momentos em que a dor parece aliviar o sofrimento.
Procurou uma tesoura, logo a encontro. Cortou uma pedaço da folha. Iria para sempre guardar aquele paragráfo, salvo naquele pedaço de papel, resgatado de sua fúria.
Agora já eram palavras tão distantes, mas sabia que era momentâneo. Logo aquelas simples palavras trariam de volta todas as outras.
Pegou os retalhos de papel e jogou na cesta de lixo. O pedaço restante, guardou em sua carteira.
Iria sempre, ao menos, carregar as palavras junto consigo, já que nada  além delas restavam.
Junto com aquelas palavras, estariam sempre outras também escritas. Mas escritas em seu peito. As palavras do papel poderiam sumir, como desejava que todo o resto sumisse, mas as palavras que tinha dentro de si nunca iriam desaparecer, sempre seriam: Eu vivo você!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Naquele banco...

Hoje parei ao lado do banco onde nos sentamos.
Sempre via você nele, hoje fiz meus olhos verem a realidade.É um banco vazio.
Não é uma ponte para o passado.
Tentei lembrar o que senti naquele dia, mas foi um misto tão grande de sensações que não posso mais lembrar.
Com certeza o que senti faz contraste com o que sinto e com o que me faço sentir hoje.
Percebi que não lembro mais de cada detalhe, aos poucos a essência vai se apagando.
Isso prova que um dia esquecerei de tudo ou morrerei tentando.
Sempre ficará uma pequena lembrança para se ignorar, para deixar guardada no fundo da memória para não ser percebida.
Os dias apagam a presença que existiu quando sentamos naquele banco, e trazem a tona a verdade, o banco sempre estará vazio para mim, nunca mais representará nada.
A verdade aflienge e doi mas não cala, imediatamente, o que ecoa na mente: Eu vivo você!