Bibliotecária do Amor: Folhas aos pedaços
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Folhas aos pedaços

Hoje encontrou algumas folhas velhas, já amassadas e amareladas. Folhas a tanto tempo guardadas, mas nunca esquecidas.
Folhas escondidas para não serem vistas. Folhas com palavras doces, mas que iam amargando quanto mais lia.
Lembrava-se das palavras, da melodia e do aroma que saia daquelas folhas.
Era uma recordação que não podia permitir vir sempre ao seu encontro.
Olhou para as folhas, leu diversas vezes. Deixando que a dor viesse ao seu encontro a cada palavra lida.
A cada sílaba que saia da folha, ia criando vida ao seu redor.
As palavras circulavam ao seu redor, formando um redemoinho.
Não poderia reencontrar aquelas folhas. Era hora de fazer algo.
Enterra-las junto com o passado já morto.
Rasgou a primeira, o que pareceu ser mais um rasgo em seu coração.
Rasgou a segunda, e ao olhar a terceira viu que não poderia se livrar de todo daquela lembrança.
Algo deveria permanecer para ser invocado nos momentos em que a dor parece aliviar o sofrimento.
Procurou uma tesoura, logo a encontro. Cortou uma pedaço da folha. Iria para sempre guardar aquele paragráfo, salvo naquele pedaço de papel, resgatado de sua fúria.
Agora já eram palavras tão distantes, mas sabia que era momentâneo. Logo aquelas simples palavras trariam de volta todas as outras.
Pegou os retalhos de papel e jogou na cesta de lixo. O pedaço restante, guardou em sua carteira.
Iria sempre, ao menos, carregar as palavras junto consigo, já que nada  além delas restavam.
Junto com aquelas palavras, estariam sempre outras também escritas. Mas escritas em seu peito. As palavras do papel poderiam sumir, como desejava que todo o resto sumisse, mas as palavras que tinha dentro de si nunca iriam desaparecer, sempre seriam: Eu vivo você!