Começou a pensar nas várias coisas que podia dizer. Queria poder dizer a falta que sentia, a dor que não sumia.
O desespero por ver tudo se apagando a sua frente, sem poder fazer nada.
Havia tantas e tantas palavras, mas elas perdiam o sentido assim que se uniam em uma frase.
O papel não era mais o suficiente para expressar o que queria dizer, as palavras não contemplavam o sentido que precisavam passar.
Não havia mais palavras que pudessem expressar o que sentia.
Queria poder dizer que estava sofrendo, que queria que as coisas voltassem.
Mais sabia que nada mais poderia ser o que já havia sido.
O passado andava ao seu lado, acompanhando o ritmo de cada passo seu.
Não havia mais como escapar do passado. Não havia como esquece-lo ou palavras que fizessem ele desaparecer.
Mas mesmo estando lado a lado com o passado, ainda queria dizer muitas coisas.
Sentia falta de cada pequeno detalhe, de cada coisa existente ou não.
Sentia falta das coisas que poderia ter tido, mas hoje não era mais possível.
A saudade instalou-se em seu outro lado.
Queria saber o que fazer, saber corrigir ou saber esquecer.
Mas não sabia mais nada, todos os conhecimentos se tornavam nulos nesses momentos.
Não conseguia fazer mais nada.
Queria poder dizer algo, algo que mudasse tudo. Algo que expressa-se que ainda havia amor, aquele amor constante.
Mas a vontade morria de medo, medo que tudo se repetisse.
Recuperar para perder novamente. Esse era seu maior medo.
Se é para perder que seja uma. Se é para sofrer que não haja motivos para acentuar o sofrimento e a dor.
Queria poder dizer muitas coisas, e por isso não dizia nada.
Tornou as palavras inexistentes, deixou que só houvesse presença nos pensamentos, nas lembranças, nas dores.
De tantas palavras que queria dizer, sabia que só uma poderia expressar tudo.
Só havia uma frase que pudesse compreender toda a complexidade.
As palavras que queria dizer sempre significaram: Eu vivo você!